segunda-feira, 11 de maio de 2009

O VISIONÁRIO

Qual a origem da dor?
talvez obra do divino,
talvez letra de um hino,
ou conseqüência do amor.
Quando chega a força?
alguma explicação de física,
o inverso de anímica,
ou o "pós" da fraqueza.
Qual o propósito da ira?
talvez para sermos complacentes
,uma ação química de nossas mentes
,ou uma mola propulsora da vitória.
Na verdade, eu tento me colocar no futuro,
pois já derrubamos vários muros,
para o bom uso da inteligência.
Infelizmente, o lado negro dos sentimentos,
vivem lado a lado com o querer mais rendimentos,
pela entorpecida vontade de se ter emergência.

NOEL PASSA LONGE

Daqui, em minha janela, no oitavo andar de um prédio cuja rua fica em bairro nobre da cidade do Rio de Janeiro, consigo avistar a outra cara da moeda, a cara baixa; apesar d¢ela estar num pequeno monte e na mesma altura que a minha cara alta, a visão continua sendo de cima para baixo, evidenciando, assim, a desigualdade instalada em tempos ainda coloniais. São 23:30hs do dia vinte e quatro de dezembro e as luzes, do outro lado, continuam mais acesas do que nunca, até parecem que piscam para mim, dá vontade de cometer adultério social e ir até lá, deixar de lado minha vida de um padrão sócio-econômico respeitável, cheio de regras enfadonhas, e repicar sons agudos nos seus fundos de quintais. Essas luzes que me piscam ao longe também seduzem meu lado sentimental e orientam minhas emoções às boas obras; não como os jesuítas impondo suas convicções austeras aos nativos que eram tidos outrora inferiores, porém, sim, como o nobre asiático que, ignorando as diferenças entre realeza e plebe, originou o sentimento natalino, quando desde criança recebendo muitos presentes, distribuía-os a pequenos pobres deveras necessitados. É este tipo de convite, de aparência cintilante, a que me deparo debruçado sobre a janela, chamo isso de espírito de natal, o sentimento encubado na razão o ano inteiro, à alma retorna através de um desejo coletivo, claro que alterado geneticamente por impulsos de compra, mas quem disse que somos perfeitos, quem disse ser só o dinheiro a mover a máquina e quem disse não existir uma finalidade maior em tudo a nos rodear. É, exatamente, por ver essa luz, que me veio à idéia de acordar, no dia de Natal, bem cedinho, e ir até o hipermercado comprar dezenas de cestas básicas e alguns presentes de grande utilidade, colocá-los no meu carro e seguir em direção ao conglomerado. Depois de dar assistência a largos sorrisos, finalmente livres de quaisquer impedimentos e de compartilhar emoções altruísticas, decidi fazer disso um exemplo para mim mesmo e espalhar esses compromissos para diversas datas do ano, desvencilhando a confraternização dos dias comemorativos, só assim conseguiria suprir a falta do glorioso Noel e trazer à favela um pouco do tão longínquo Céu.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

SILÊNCIO!!!

É estranho quando me calo,
me calo frente as derrotas,
me calo frente as humilhações,
me calo frente os elogios,
me calo frente ao turbilhão de emoções.

Há êxtase ao se calar?
Talvez não, talvez sim,
Ou talvez dentro de mim,
Existe alguém querendo falar enfim.

No sexto sentido,
aquele que quando falamos nos sentimos feridos,
talvez por não utilizá-lo ou por não respeitá-lo,
é que existe o tal silêncio.

Lá não há vibrações,
também não há pensamentos ou emoções
placas tectônicas ou furacões
Só existe você e eu
sem intermediários ou interrupções
só um Deus e um ateu.